
Meu pai é louco por jardinagem. Quando não tá cuidando de gente, tá cuidando de planta. Morre de orgulho das trepadeiras que plantou perto da entrada de casa e do pé de tangerina que tá finalmente florescendo. E volta e meia meu pai resolve me dar uma planta, pra eu cuidar.
Primeiro foi uma orquídea. Botou a flor num vaso todo lindo e me entregou com um pequeno manual de instruções. Supostamente não precisava de grandes coisas pra sobreviver. Pouca luz, pouca água, pouca manutenção. Foi tudo bem até o primeiro mês. A orquídea morreu, as flores murcharam e foram caindo uma por uma. Me senti uma assassina, tentei ressuscitar a planta, fazer macumba, mas não teve jeito.
Quando meu pai percebeu que a orquídea tinha morrido, tentou uma suculenta. "Dá menos trabalho ainda". Okay, talvez desse, nunca cheguei a descobrir porque pouco tempo depois algum dos gatos derrubou o vasinho de cima da prateleira e selou o destino da suculentinha.
Ainda sem aprender a lição, meu pai me deu um cacto. "Esse não tem como dar errado". Pois é, eu imaginava que não. Na casa antiga tínhamos um cacto no telhado. Não sei como ele foi parar lá, mas nasceu entre as telhas e cresceu sozinho. Ainda tá vivo, seis anos depois, firme e forte, sobrevivendo sozinho no alto da casa.
Meu cacto morreu.
Eu não sabia nem que era possível matar um cacto. Essas porras sobrevivem em um deserto, a calores escaldantes e à falta d'água, na areia, no telhado, mas aparentemente não sobrevivem a mim.
Depois disso meu pai desistiu. A última planta que ele me deu foram dois vasinhos com suculentas de plásticos. Pelo menos essas ainda estão "vivas".

Meu pai é louco por jardinagem. Quando não tá cuidando de gente, tá cuidando de planta. Morre de orgulho das trepadeiras que plantou perto da entrada de casa e do pé de tangerina que tá finalmente florescendo. E volta e meia meu pai resolve me dar uma planta, pra eu cuidar.
Primeiro foi uma orquídea. Botou a flor num vaso todo lindo e me entregou com um pequeno manual de instruções. Supostamente não precisava de grandes coisas pra sobreviver. Pouca luz, pouca água, pouca manutenção. Foi tudo bem até o primeiro mês. A orquídea morreu, as flores murcharam e foram caindo uma por uma. Me senti uma assassina, tentei ressuscitar a planta, fazer macumba, mas não teve jeito.
Quando meu pai percebeu que a orquídea tinha morrido, tentou uma suculenta. "Dá menos trabalho ainda". Okay, talvez desse, nunca cheguei a descobrir porque pouco tempo depois algum dos gatos derrubou o vasinho de cima da prateleira e selou o destino da suculentinha.
Ainda sem aprender a lição, meu pai me deu um cacto. "Esse não tem como dar errado". Pois é, eu imaginava que não. Na casa antiga tínhamos um cacto no telhado. Não sei como ele foi parar lá, mas nasceu entre as telhas e cresceu sozinho. Ainda tá vivo, seis anos depois, firme e forte, sobrevivendo sozinho no alto da casa.
Meu cacto morreu.
Eu não sabia nem que era possível matar um cacto. Essas porras sobrevivem em um deserto, a calores escaldantes e à falta d'água, na areia, no telhado, mas aparentemente não sobrevivem a mim.
Depois disso meu pai desistiu. A última planta que ele me deu foram dois vasinhos com suculentas de plásticos. Pelo menos essas ainda estão "vivas".
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